08/04/2010
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Cada vez mais, a preocupação com uma assistência de saúde de qualidade, tem sido o foco principal nas mais diversas rodas de conversas e mesas de congressos da área de saúde. A análise dos custos dessa assistência têm se mostrada uma das maiores, preocupação daqueles que detém a responsabilidade de pagar por essa assistência de qualidade, seja por parte do poder público - Sistema Único de Saúde (SUS), como da iniciativa privada, por meio das Operadoras de Planos de Saúde Suplementar.
Não estamos aqui para repetir os discursos normalmente ouvidos, de que a saúde não tem preço, mas tem custos entre outras, queremos apenas demonstrar como são difíceis os papeis desenvolvidos pelos diversos atores envolvidos no processo de prestação de serviço de saúde com qualidade.
De um lado temos os prestadores de serviços (hospitais), que recebem um cliente queixoso, e se propõem a resolver seu problema da melhor forma possível, utilizando os melhores recursos para que o cliente saia de sua instituição certo de que tudo que poderia ser oferecido para resolver seu problema estava a sua disposição, e que, os custos por essa oferta de serviços certamente serão cobertos por alguém, exceto quando a opção for por financiamento próprio.
Do outro, os fabricantes de produtos médicos hospitalares e medicamentos, havidos em desenvolver novas tecnologias que irão facilitar o trabalho do profissional de saúde, auxiliando sobre maneira na recuperação do nosso cliente, estes por sua vez, os fabricantes, também, após investirem verdadeiras fortunas no processo de desenvolvimento de seus produtos esperam recuperar o investimento no menor tempo possível.
Temos ainda um terceiro personagem neste cenário, que é o financiador da assistência de saúde, que busca proporcionar a seus clientes acesso aos mais diversos meios de assistência a saúde, de forma que os mesmos se sintam cobertos e assistidos, principalmente nos momentos mais adversos de suas vidas, quando a sua saúde “falha”. Cabe neste momento fazer uma pausa apenas para inserir o último e principal ator, que é o cliente, e não raras vezes “paciente”, que se encontra no alto deste tripé equilibrando-se entre as discussões que ocorrem entre os demais personagens, discussões essas que em momento algum poderiam atingi-lo, apesar desta não ser a realidade que vive.
Voltando a falar do financiador, este possui um papel de coadjuvante neste cenário como acontece com os dois primeiros atores, no entanto está se tornando cada vez mais claro, que cabe a este, no caso da Saúde Suplementar, o papel de zelar pelos cuidados a serem prestados a seus clientes. Com o advento da Agência Reguladora e após as leis diretrizes que regem o setor, os planos de saúde deixam de ser simples intermediários entre os prestadores de serviços de saúde e os clientes, passando a assumir um papel de gestores da saúde destes últimos.
Cabe ainda a nós, gestor da assistência de Saúde de nossos clientes, garantir que a melhor assistência seja fornecida a custos adequados e justos, afim de, podermos manter não só a saúde financeira de nossas empresas, mas principalmente a saúde dos usuários, pois, não raras vezes, os avanços tecnológicos que surgem a “passos de girafa”, antes mesmo da comprovação científica de sua efetividade, os meios de comunicação já bombardeiam a população em geral com as “novidades da medicina”, na primeira segunda feira seguinte os consultórios e clínicas estão recebendo clientes com questionamentos sobre a novidade.
Lembro-me ainda do tempo em que muitos materiais eram trancados a chave, limitando sua utilização para casos extremamente necessários, era prática comum principalmente quando se tratava de dispositivos intravenosos e cateteres intravenosos, hoje, o uso é livre e em alguns casos indiscriminado, sem a devida preocupação com o custo do material.
Quando falamos em nome dos planos privados defendemos o uso adequado e racional de produtos de uso médico-hospitalar, pois são elas, as operadoras de planos de saúde, que pagam a conta, quando falamos em nome do SUS, também temos que defender o uso consciente, pois quem arca com o prejuízo do uso indiscriminado de materiais e medicamentos, é a instituição hospitalar e em última análise o cidadão, que paga os impostos.
Cabe-nos então, como profissionais da área da saúde, e em especial enfermeiros, pois somos nós que decidimos pela utilização ou não da maioria dos materiais disponíveis na área hospital, termos consciência quando da utilização de qualquer que seja o produto.
Neste cenário é que surgem os Auditores em saúde, que para realizar sua atividade com precisão e justiça, necessitam que os profissionais que atuam na área assistencial registrem seus atos de forma clara e esclarecedora, dando-nos subsídios o suficiente para a análise da assistência.
Não temos aqui o objetivo de impedir a utilização de determinados dispositivos ou equipamentos que auxiliem na assistência de enfermagem e/ou médica, no entanto, a utilização dos mesmos deve estar devidamente justificada e deve haver acima de tudo comprovação científica de qualidade, que a utilização desse ou daquele produto realmente trarão algum tipo de benefício à assistência fornecida ao cliente, e que não se trata apenas de uma opção pessoal ou uma indicação aleatória de determinado fabricante.
Por último, faço o seguinte questionamento a quem trabalha diretamente na área assistencial: “VOCÊ PAGARIA SEM QUESTIONAR, TUDO QUE COBRA?”.