16/09/2010
Por: Silvio Emerson Douglas Vieira
PROFISSIONALISMO DA GESTÃO, por Gustavo de Brum Nunes*
Em economias avançadas e em mercados emergentes, inúmeras empresas iniciaram-se como negócios familiares. Desde o início, guiadas pelo espírito empreendedor de seus fundadores algumas se tornaram grandes potências econômicas.
Sorte, visão ou oportunismo, cada qual tem uma receita para o sucesso. E, entretanto, a maioria vencedora, em algum momento de sua trajetória, teve o discernimento e a precaução de se profissionalizar, preocupando-se com a própria sucessão e a continuidade dos negócios.
Para essas empresas que sobrevivem às crises, a chave do sucesso foi um senso de governança representado pelo comprometimento com os valores transmitidos através das gerações e um amplo conhecimento sobre o sentido da palavra “propriedade”. Em verdade, a propriedade de um negócio pode tanto representar para uma família a deterioração dos relacionamentos afetivos, quando mal-administrado por seus gestores, quanto pode propiciar grandes retornos, se bem planejado.
A pergunta que podemos nos formular é: Em que momento da história da empresa devemos pensar na profissionalização, sem que isso se torne um tabu?
O nascimento de uma empresa é caracterizado pela batalha de utilizar a capacidade de inovação para conquistar seu mercado e entender as necessidades de seus futuros clientes.
Vencida essa primeira batalha, o segundo estágio de amadurecimento envolve um foco mais acentuado no aumento da produção, recrutamento de novos colaboradores, pesquisa e desenvolvimento para constituir uma marca forte no mercado. A luta pela sobrevivência é caracterizada por uma mudança organizacional e na forma de competir.
Nesse momento, a empresa entra num ciclo de crescimento e sucesso, com uma relativa estabilidade financeira e a consolidação de seus esforços de conquista de mercado. Entretanto, há um nível de exigência muito alto para sustentar esse crescimento, e sem um processo de profissionalização intenso a empresa pode cair na armadilha de imaginar que o status alcançado se perpetua sozinho.
Este é o momento para se pensar na profissionalização da empresa.
A profissionalização implica em se adotarem práticas administrativas mais racionais e menos personalizadas; é o processo de integração de novos gestores profissionais identificados com uma cultura empresarial; é o momento de se refletir sobre o papel dos acionistas e de seus sucessores e de se admitir a necessidade de ter uma intervenção externa, por intermédio de um consultor que oriente essa mudança.
Esse processo tem como aspectos fundamentais:
• Descentralização dos poderes;
• Gestores profissionais selecionados no mercado com vivência e perfil para enfrentar desafios;
• Fomalização de instrumentos de gestão;
• Planejamento estratégico e visão de longo prazo;
• Controles e instrumentos de governança;
• Estrutura organizacional compatível com a operação.
Conciliar os interesses individuais com o coletivo é o desafio que se apresenta nos processos de profissionalização e de sucessão.
*Graduado em Administração com Habilitação em Comércio Exterior pela ÚNICA/ESAG, Pós-Graduado em Gestão Empresarial pela FGV e Gerente Administrativo e de Logística da empresa Weightech, distribuidora e desenvolvedora de equipamentos e sistemas de pesagem.